Song "Rookie" Eui-jin é comparado a Lee "Faker" Sang-hyeok desde o início de sua carreira no League of Legends.
A cena foi quase perfeita para Song "Rookie" Eui-jin da Invictus Gaming: o maior prêmio do League of Legends, a Summoner's Cup, ao lado dele. Uma hora havia se passado desde a vitória de sua equipe por 3 a 0 sobre a Fnatic na final do Mundial em Incheon, na Coreia do Sul, e ele estava em uma tenda atrás do estádio para responder perguntas da imprensa . Quando Rookie e o resto da iG entraram, a mídia chinesa presente se levantou e aplaudiu, enquanto aqueles no fundo subiram nas cadeiras de metal em uma tentativa de tirar a foto perfeita dos recém-coroados campeões.
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Rookie foi considerado por muitos como o melhor jogador do mundo este ano, e agora ele é um campeão mundial. Sua longa jornada de deixar sua casa na Coreia do Sul em 2014 para jogar profissionalmente na China tinha finalmente valido a pena. Mas a única pessoa que poderia ter tornado a vitória perfeita de Rookie não estava em Incheon naquele dia.
Essa pessoa estava em outro lugar na Coreia do Sul, nem mesmo assistindo as finais, mas treinando em preparação para as batalhas que ainda estavam por vir. Essa pessoa era Lee "Faker" Sang-hyeok.
"Eu estava ansioso jogar contra o Caps, mas infelizmente não acho que ele teve um bom desempenho durante a fase final", disse Rookie na conferência pós-final. "O jogador que eu gostaria de jogar contra é Faker. As performances dele em palcos grandes são impressionantes. Eu gostaria de jogar contra ele em um palco grande um dia".
Desde que Rookie começou sua carreira profissional no final de 2013, pouco depois de Faker conquistar seu primeiro mundial, as comparações entre os dois prodígios da rota do meio foram infinitas. Como Kobe Bryant e Michael Jordan no basquete, cada conquista do Rookie foi medida contra as de Faker. Rookie, mesmo em seus primeiros anos, era uma estrela em ascensão. Mas ele não era uma super estrela, e isso não era bom o suficiente. Se Rookie fosse ser o próximo Faker, jogando no KT Rolster - a antiga rival da SK Telecom T1 de Faker -, ele não poderia ser apenas um dos melhores. Ele tinha que ser o melhor.
Rookie ganhou um campeonato nacional em seu primeiro ano profissional, assim como Faker, mas não chegou ao mundial. Sua equipe, a KT Arrows, não conseguiu se classificar para o torneio mais importante do ano, e a distância entre Faker e Rookie aumentou. Faker ganhou um título mundial em seu primeiro ano. Rookie nem sequer fez chegou ao mundial. Rookie nunca seria tão bom quanto Faker. Caso encerrado. Fim de história.
Tal como muitos jogadores sul-coreanos na offseason de 2013, Rookie foi à China por um contrato de valor alto. Faker permaneceu na SKT e construiu uma nova escalação ao seu redor, que voltou a ganhar o próximo mundial. A rivalidade seria colocada em segundo plano enquanto Rookie se encontrava na China, aprendendo a língua e se adaptando ao novo ambiente. Embora Rookie tenha chegado ao mundial em 2015, ele não passou da fase de grupos, e precisou assistir de fora a Faker conquistando seu segundo título. No ano seguinte, Faker ganhou seu terceiro, e Rookie nem sequer esteve no torneio, pois sua equipe não se qualificou.
Este ano, o status quo foi revertido. Faker ficou em casa, tendo falhado em se classificar para o mundial pela segunda vez e tendo o pior ano de sua carreira profissional. Rookie, por outro lado, estava tendo sua melhor temporada até o momento, ganhando o prêmio de MVP da China pela mais recente temporada doméstica e entrando no mundial como uma das poucas superestrelas cimentadas no campo.
Ainda assim, o homem que Rookie mais queria enfrentar na grande final não estava lá para cumprimentá-lo.
Até que esse momento chegue, o dia perfeito continua sem ser alcançado.
"Há sempre uma parede chamada Faker", disse Rookie no All-Star em Las Vegas, no início deste mês. "Para mim, pessoalmente, ainda há muitas coisas em que posso trabalhar. Até ultrapassar a parede que é Faker, não acho que posso dizer que não tenho rival [como o melhor jogador do mundo]".
Como fizeram em 2015, a SKT não poupou despesas para garantir que Faker não fique de fora do próximo mundial. Depois de um ano desastroso em que a equipe não conseguiu chegar a uma única final doméstica ou torneio internacional de grandes proporções, a SKT limpou a casa e colocou novos titulares em todas as posições além da rota do meio, ainda defendida por Faker. Mais notavelmente, a equipe contratou os serviços do ex-campeão mundial e MVP Cho "Mata" Se-hyeong para ancorar as decisões da equipe.
No fundo de seu coração, mesmo após o pior ano de sua carreira, Faker ainda acredita que não tem um rival verdadeiro. Ele é o melhor jogador do mundo. Para ele, Rookie é seu rival por padrão, finalmente merecedor de reconhecimento depois de se tornar um campeão mundial.
Se Faker é a parede que Rookie está tentando escalar para se tornar o melhor do mundo, então Rookie é o obstáculo que Faker planeja percorrer para recuperar o que acredita ser dele.
"Como o Rookie ganhou [o mundial] este ano, eu provavelmente o escolheria como meu rival", afirmou Faker em Las Vegas, também no All-Star. "Mas eu ainda estou confiante na minha habilidade e ainda estou confiante no que posso fazer. Então, eu ainda me favoreceria no confronto contra ele".
Em resposta às palavras de Faker sobre o próximo ano, Rookie riu, ansioso para enviar uma mensagem para o homem que ele sente que deve superar.
"É bom ver o Faker tão confiante", garantiu ele. "É sempre bom ver confiança em outros jogadores profissionais. Ele é geralmente um jogador muito humilde, então ver esse tipo de confiança é bom. Porém, ao mesmo tempo, quando você tem muita confiança e falha, também se sente muito mal".
Rookie continuou: "Então, Faker, eu acho que você deveria ser um pouco mais humilde, mas, ao mesmo tempo, vamos ficar de olho no SKT e esperar que eles possam melhorar e fazer o que puderem. Do nosso lado, vamos dar nosso melhor para sermos os melhores".
O próximo ano será um ano sem desculpas para Faker. Sua equipe construiu uma escalação capaz de vencer um campeonato. Quando questionado sobre sua meta para o próximo ano, Faker foi direto, reafirmando que, embora a China tenha vencido tudo em 2018, no próximo ano, a Coreia do Sul ganharia tudo de volta.
"Por sua causa?", perguntei ao Faker.
"Sim, acho que sim", respondeu ele.